Depoimentos

Sapato e palmilha

O pé diabético é uma complicação frequente do diabete mellitus, que pode se desenvolver em média após 10 a 15 anos de evolução da doença. É definida como qualquer lesão aguda ou crônica que ocorre no pé do paciente diabético. Estas lesões são decorrentes de duas complicações, a microangiopatia (alterações vasculares) e a neuropatia periférica (alteração dos nervos) que causa a perda da sensibilidade protetora dos pés.

A neuropatia periférica diabética acomete cerca de 50% dos pacientes diabéticos. Ela é a causa primária ou fator desencadeante das úlceras nos pés diabéticos em cerca de 90% dos casos e, quando instalada, caso não seja tratada adequadamente, poderá evoluir para amputação de dedos, pé ou até mesmo da perna do diabético.

Estudos estimam que cerca de 40% dos diabéticos com neuropatia desconhecem esta complicação e sabe-se hoje em dia que uma abordagem multidisciplinar – médico, enfermagem e ortopedia técnica (ortesista/protesista) pode tanto prevenir esta complicação, assim como, quando instalada, minimizar suas consequências, inclusive diminuindo as taxas de amputações em membro inferior no diabético.

Existem diferentes mecanismos que podem favorecer a formação de úlceras plantares no pé diabético tais como:
1- Uso de calçados impróprios que levam a traumas crônicos (sapatos apertados, de bico estreito, salto elevado, etc…).

2- Corte inadequado de unhas e calos.

3- Alterações anatômicas (deformidades) que contribuem para o aumento de pressão em determinadas regiões dos pés, levando a formação de calosidades e posteriormente às úlceras.

4- Andar em terrenos irregulares com chinelo ou calçado muito aberto podem provocar lesões nos pés. Existem casos de pessoas que tropeçam em pedra ou irregularidades na calçados e não sentem que machucaram o pé.

 

Procedimentos simples podem preservar a saúde do pé diabético tais como:
– Inspeção da pele à procura de pontos de calosidade, brilho excessivo e ressecamento da pele, ferimentos e alterações de temperatura.

– Sempre examinar o interior de um calçado a fim de procurar qualquer objeto estranho que possa feri-lo.

– Avaliar a sensibilidade (tato, dor e temperatura) através do simples toque da mão na sola.

– Evitar o uso de calçados tipo chinelo ao sair de casa e calçados apertados.

-Não andar descalço.

– Após o banho enxugar bem os pés e entre os dedos para evitar a umidade.

-Dar sempre preferência para meias de algodão ou que pelo menos tenham a maior concentração de algodão (leia sempre a etiqueta da meia) e que não tenham costuras internas altas.


Fig 1 

Além destes cuidados é importante a utilização de palmilhas especiais feitas sob molde (molde gessado) e calçados apropriados.

Palmilhas ortopédicas confeccionadas sob medida.
Este tipo de palmilha permite ao ortesista, definir de forma mais precisa os pontos para alívio das pressões plantares excessivas. Frente a alterações anatômicas dos pés (varo – virado para fora ou valgo- virado para dentro) é possível, na maioria dos casos, algum grau de correção. Estas vantagens proporcionam uma distribuição mais uniforme da pressão do peso corporal sobre a região plantar, atuando tanto na prevenção da formação de úlceras plantares como também no auxílio do processo de cicatrização de uma lesão ulcerativa (converse com seu médico à respeito).

Lembre-se sempre que ao utilizar uma palmilha pronta, vendida em lojas e farmácias, é o mesmo que dizer que todas as pessoas têm o mesmo formato dos pés. As palmilhas prontas podem representar um risco para a formação de úlceras. Existem critérios para a indicação deste tipo de palmilha. O seu médico é a pessoa mais indicada para orientá-lo quanto a este aspecto.


Fig 2 – Palmilha ortopédica personalizada 

Calçado ortopédico específico para pé diabético.
Este tipo de calçado deve apresentar as seguintes características:

a. Caixa alta e larga (está relacionada à profundidade e largura do calçado). Promovem espaço suficiente para o desempenho do andar sem causar traumatismos.

b. Rocker (elevação da parte anterior e posterior do solado, que permite o rolamento sobre o pé). O rocker favorece o alívio de pressão nas áreas de maior risco, prevenindo a formação das úlceras.

c. O solado não pode ser muito flexível evitando assim a deformação do calçado e a falta de estrutura para os pés e para a palmilha. Também não pode ser muito rígido pois pode favorecer o aparecimento de dores no pé e tornozelo e até ferimentos.

d. Forro interno de couro e sem costuras salientes para evitar atrito nos pés.

Modelos de calçados para pé diabético


Fotos 3, 4 e 5 – Calçados para pé diabético

Se você ainda tem alguma dúvida à respeito, entre em contato conosco pelo telefone (041)3018-6120. A nossa equipe de profissionais terá o prazer em atendê-lo.